segunda-feira, 31 de maio de 2010

Brasil busca acordo com EUA para retomar exportação de carne processada

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) informou que pretende resolver as diferenças entre os processos de certificação brasileiro e norte-americano de carne processada. O uso de sistemas distintos de avaliação levou os Estados Unidos a impedirem a entrada de um lote do frigorífico JBS Friboi no dia 27 de maio de 2010. Por causa disso, o governo brasileiro suspendeu as certificações e embarques de carne processada para os Estados Unidos.



As autoridades norte-americanos alegaram que as carnes continham o vermífugo Ivermectina acima do limite permitido pela legislação de seu país. De acordo com o Ministério da Agricultura, o problema está na metodologia de certificação aplicada pelos dois países, que apresentam algumas diferenças. Para corrigi-las, técnicos dos dois países se reunirão nos próximos dias para chegar a um acordo sobre os critérios adotados.

Enquanto isso, o atual modelo de certificação e, consequentemente, as exportações de carne processada para os Estados Unidos estão suspensos até que um novo padrão seja definido. Os norte-americanos gastaram, nos três primeiros meses deste ano, US$ 49 milhões com a importação desses produtos do Brasil, aparecendo como o maior importador.

ADIDOS AGRÍCOLAS ASSUMEM POSTOS NO EXTERIOR

A partir de hoje (31/05/10), os adidos agrícolas brasileiros começam a assumir seus postos nas embaixadas para as quais foram designados. O primeiro será o representante do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em Bruxelas, na Bélgica, Odilson Ribeiro, que acompanhará as negociações bilaterais com os países da União Europeia, principal destino das exportações do agronegócio do Brasil. Os outros sete nomeados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em abril deste ano, assumem até meados de julho.

Os adidos agrícolas trabalharão em postos estratégicos para o comércio agropecuário brasileiro. Esequiel Liuson, designado para a missão diplomática em Pequim (China), terá a responsabilidade de cuidar de negociações e questões sanitárias no país que, há dois anos, é o maior importador individual do agronegócio brasileiro. Em 2009, a receita da exportação para os chineses alcançou US$ 8,9 bilhões.

Em outros casos, esses profissionais estarão em importantes centros de negociação, como Genebra (Suíça). A atuação de Guilherme Antônio da Costa Júnior será ativa junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) e outros organismos multilaterais sediados naquela cidade. Ocupam os demais Postos Bivanilda Tapias, em Buenos Aires (Argentina); Rinaldo Junqueira, em Moscou (Rússia); Gilmar Paulo Henz, em Pretória (África do Sul); Gutemberg Barone Nojosa, em Tóquio (Japão); e Horrys Friaça, em Washington (Estados Unidos).

O secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Célio Porto, enfatiza que, além de defender os interesses do Brasil em cada país, os escolhidos terão o papel de identificar oportunidades de exportação para produtos nacionais. "Os adidos agrícolas vão ajudar o governo brasileiro nas questões de abertura e manutenção de mercados, corrigindo e antecipando eventuais problemas", enfatiza. Desde a nomeação, o grupo tem se reunido com representantes de entidades exportadoras do agronegócio.

Cada missão vai durar, pelo menos, dois anos. Os adidos foram selecionados entre 195 funcionários de carreira do Ministério da Agricultura e de órgãos vinculados, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Conheça o perfil dos adidos agrícolas:

Bivanilda Almeida Tapias - Argentina

Especialista em propriedade intelectual, a engenheira agrônoma Bivanilda Tapias, natural de Porto Velho (RO), é também mestre e doutora em fitopatologia, com ênfase em biotecnologia. Desde 2005, coordena a área de Incentivo à Indicação Geográfica de Produtos Agropecuários do Ministério da Agricultura, embora já atuasse com a agenda de indicação geográfica, desde 2003, nas negociações do acordo comercial União Europeia-Mercosul. Nessa atividade, no MAPA, contribuiu com outros departamentos. Destacou-se, por sua atuação, como representante do MAPA na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Na concepção da nova adida agrícola, o Brasil tem acesso a mercados externos para seus produtos agrícolas, agora o desafio é promover e melhorar os acordos comerciais. Bivanilda acredita que, em geral, o entrave é burocrático e não fitossanitário.

Esequiel Liuson - China

Mestre em epidemiologia aplicada às zoonoses pela Universidade São Paulo (USP), o médico veterinário ingressou na carreira de fiscal federal agropecuário do Mapa em 2002. É chefe do Serviço de Inspeção de Produtos Agropecuários na Superintendência Federal de Agricultura em São Paulo, desde fevereiro de 2007. Foi coordenador de Certificação e Habilitação da Secretaria de Defesa Agropecuária, em 2005, quando o Brasil recebeu mais de 60 missões oficiais internacionais de 20 países, sobre produtos de origem animal. Filho de imigrantes chineses cristãos, o paulista Liuson concorreu à vaga para adido agrícola em Pequim por acreditar que a sua formação pessoal e cultural seja ferramenta complementar à experiência profissional adquirida no Ministério da Agricultura. Deseja, com sua atuação, superar os desafios das relações Brasil-China no campo do agronegócio.

Gilmar Paulo Henz - África do Sul

Gilmar Henz nasceu em Santo Ângelo (RS). Engenheiro agrônomo, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), fez mestrado e doutorado em fitopatologia na Universidade de Brasília (UnB). Pesquisador em doenças de plantas e tecnologia de pós-colheita da Embrapa Hortaliças, no Distrito Federal, desde 1989, foi chefe de Comunicação e Negócios, entre 2004 e 2008, coordenando as atividades de transferência de tecnologia, publicações e cooperação técnica. Tem ampla experiência internacional, com treinamentos em renomadas instituições científicas do Peru, Hungria, Taiwan, Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos. Como consultor da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) atuou em missões técnicas na Bolívia, Angola e Moçambique. É membro de associações científicas brasileiras e internacionais nas áreas de fitopatologia, horticultura e editoração científica. Foi editor-chefe da revista Horticultura Brasileira no período 1990-1997. Já editou dois livros, publicou 38 artigos científicos e foi autor também de 14 capítulos de livros.

Guilherme Antonio da Costa Júnior - Suíça

O pernambucano Guilherme Antonio da Costa Júnior é médico veterinário e fiscal federal agropecuário. No Ministério da Agricultura, desde 1981, especializou-se em inocuidade dos alimentos no Japão (1995) e desenvolveu atividades no Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária. Em 1990, iniciou trabalhos na área de negociações bilaterais e multilaterais, ao participar da elaboração e implementação de memorandos de entendimentos, negociações de interesse do Brasil em fóruns como o Codex Alimentarius. Desde 2005, exerce atividades no Departamento de Negociações Sanitárias e Fitossanitárias da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio, onde já ocupou o cargo de coordenador-geral de Negociação na Organização Mundial do Comércio (OMC) por mais de três anos. Atualmente, é diretor do departamento. É alto o grau de expectativa para seu o trabalho em Genebra, considerando a importância das negociações multilaterais e bilaterais sobre questões relacionadas ao agronegócio, que refletem no acesso e manutenção de mercados para os produtos brasileiros.

Gutemberg Barone de Araújo - Japão

Com conhecimento em negociações fitossanitárias internacionais, praticados em países como Argentina, Chile, China, Estados Unidos, Japão e Peru, o cearense Gutemberg Barone de Araújo Nojosa é engenheiro agrônomo e doutor em fitopatologia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). Trabalha como fiscal federal agropecuário desde 2003 e é coordenador-geral de Proteção de Plantas da Secretaria de Defesa Agropecuária. Antes, atuou em assistência a pequenos produtores na Secretaria da Agricultura e Pecuária do Ceará. No Ministério da Agricultura, trabalhou na Coordenação de Biossegurança de Organismos Geneticamente Modificados, como coordenador de Assuntos Fitossanitários Internacionais e como coordenador-geral substituto de Negociações na Organização Mundial do Comércio. Tem experiência em defesa vegetal e em negociações no âmbito da Convenção Internacional para a Proteção dos Vegetais (CIPV) e do Acordo de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias da OMC. Gutemberg tem prática em organização de eventos internacionais, edição de livros e trabalhos científicos na área de defesa vegetal.

Horrys Friaça Silva - Washington - Estados Unidos

Carioca, 33 anos, graduado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) em 1999 e doutor, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), em medicina veterinária. Ingressou na carreira de fiscal federal agropecuário do Ministério da Agricultura, em 2003. Dois anos depois, foi nomeado coordenador de Assuntos Internacionais Zoossanitários do Departamento de Negociações Sanitárias e Fitossanitárias da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio. Desde 2008, exerce a função de coordenador-geral de Acordos Bilaterais e Regionais. Horrys tem experiência na área de negociações sanitárias internacionais, bilaterais e multilaterais, para ingresso e manutenção do comércio de produtos agropecuários. Participa, ativamente, das negociações com os principais mercados do agronegócio brasileiro. Em relação às perspectivas da nova função, pretende cooperar com a equipe da embaixada, em Washington, no atendimento às demandas técnicas específicas, para a abertura do mercado americano para os produtos agropecuários brasileiros ainda não exportados, bem como para a consolidação e facilitação do acesso aos itens já exportados.

Odilson Luiz Ribeiro e Silva - Bélgica

Engenheiro agrônomo Odilson Luiz Ribeiro e Silva, mineiro, formado na Universidade Federal de Lavras (UFLA) e pós-graduado em economia e sociologia rural pela Faculdade de Agronomia de Gembloux, na Bélgica. Servidor do Ministério da Agricultura desde 1983, já exerceu todas as funções de chefia no Departamento de Sanidade Vegetal. Faz parte, ainda, da sua trajetória profissional a presidência do Comitê de Normas da Convenção Internacional para a Proteção dos Vegetais da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Desde 1994, opera em negociações internacionais na área sanitária e fitossanitária no âmbito da OMC, Mercosul e Cosave. Iniciou a negociação dos Conselhos Consultivos Agrícolas entre o Brasil e Estados Unidos e também com a Indonésia. Coordenou a elaboração de normas nacionais e internacionais para questões fitossanitárias. Ainda no Ministério da Agricultura, foi secretário de Defesa Agropecuária substituto por três anos, e diretor de programas da área vegetal da Secretaria de Defesa Agropecuária.

Rinaldo Junqueira de Barros - Rússia

O engenheiro de alimentos Rinaldo Junqueira de Barros, formado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), paulista de Igarapava e, desde 1978, é empregado da Companhia Nacional de Abastecimento. Chegou ao Ministério da Agricultura em 1999, onde exerceu cargos expressivos de coordenação e direção. Ainda, no MAPA, chefiou o gabinete da Secretaria-Executiva. Foi chefe da Delegação Brasileira em Missão à Pequim (China), representante da pasta em Reunião dos Ministros de Agricultura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), na Guiné-Bissau (África), membro das Delegações Brasileiras na Conferência da FAO e no World Economic Forum, em Nova Iorque. Atuou, também, como membro dos Conselhos de Administração e Fiscal, na gestão superior e no controle de empresas estatais (Ceasa/PR, Ceagesp, CeasaMinas e Casemg).

FONTES

Agência Brasil
Danilo Macedo - Repórter
João Carlos Rodrigues - Edição

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Eline Santos - Jornalista

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